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Agnelo Card. Rossi, Decano del Colegio Cardenalicio, 24.5.92 (suplemento semanal en lengua portuguesa)

Texto

N. 21 - 24 de Majo de 1992

L'OSSERVATORE ROMANO

Città del Vaticano

MISSA E «TE DEUM» 0 Homenagem dos peregrinos brasileiros e portugueses

O exemplo de um apóstolo do nosso século

Dentro do programa das comemorações festivas pela Beatificação de Mons. Josemaría Escrivá de Balaguer, também os peregrinos provenientes do Brasil e de Portugal tiveram o seu encontro de homenagem e acção de graças, reunindo-se na igreja de SantÁndrea de//a Valle, em Roma, na manha do dia 20 de

Maio. O Eminentíssimo Senhor Cardeal

Agnlo Rossl, Decano do Sacro Colégio

dos Cardeais, presidiu nesta ocasião a uma solene Missa, concelebrada por 9 Arcebispos e Bispos (6 do Brasil e 3 de Portugal) e por cerca de 40 sacerdotes.

Encontravam-se presentes o Ex.mo Senhor Embaixador do Brasil junto da Santa Sé, vários dirigentes do Opus Dei

e um numeroso grupo de peregrinos brasileiros e portugueses, vindos para a Beatificação de Mons. Josemaría Escrivá. Concluída a Missa foi entoado um solene «Te Deum» de acção de graças.

Publkamos a seguir a homilia pro

nunciada pelo Cardeal Rossi:

Na vida do Beato Josemaría Escrivá de Balaguer se fundem maravilhosamente a Espanha, sua terra natal, e Roma, a capital do mundo católico.

A Espanha, com tantas glórias na História, pátria e mãe de ilustres cidadãos e grandes santos, como Santo Inácio de Loiola, o Fundador da Companhia de Jesus, que logo conquistou o mundo para Cristo, e Santa Teresa de Avila, a Reformadora da vida claustral das Carmelitas, anjos de piedade que, no silêncio e na contemplação, atraem as bênçãos celestes para a humanidade pecadora.

Da Espanha, um universitário, depois filho de Santo Inácio e ministro de Deus, parte para evangelizar, como missionário, terras longínquas e muitos seguirão esse exemplo de Francisco Xavier, como o nosso Beato José de Anchieta, Apóstolo do Brasil.

Teve também a Espanha suas tragédias e horas de terrível provação, como a perseguição religiosa deste século, que fortaleceu na fé almas santas como

o Beato Josemaría Escrivá de Balaguer, Apóstolo do nosso século - verdadeiro herdeiro de Inácio de Loiola, Francisco Xavier, José de Anchieta e Teresa de Avila - e Fundador do «Opus Dei» que se difundiu prodigiosamente pelo mundo, dando à Igreja fiéis devotos e santos nas mais variadas profissões, projetando a santidade nos diversos estados de vida.

Como é agradável recordar a Espanha, especialmente neste ano de 1992, o 5° centenário da descoberta e da evangelização da América.

Espanha e Portugal, por mares nunca dantes navegados, singraram suas ondas com coragem e bravura, animados sempre de espírito cristão, e desvendaram ao mundo o continente da esperança, a América. Embora Roma fixe pelo tratado das Tordesilhas os limites dos conquistadores espanhóis e portugueses, essa mesma Roma os une Intima e

espiritualmente na pregação dó EvangeIho de Cristo.

Todas estas glorias se refletem na vida do Beato Josemaría Escrivá de Balaguer, desde a infância, no carinho do seu lar, na juventude já no Seminário, na sua esmerada formação sacerdotal,

• na maturidade, no ministério das almas, cuidando dos pobres e enfermos e aperfeiçoando, na fúria da perseguição religiosa, o seu amor indomável à Igreja

• no seu carisma de fundador, promovendo a universalidade de santidade como objetivo atraente para os leigos.

Por essas razões todas, a glorificação do Beato Josemaría, Fundador do Opus Dei, traz, neste ano de 1992, uma singular e extraordinária gloria à Espanha católica.

Mas o iniciador de «Opus Dei» sentiu vivamente a necessidade de romanizar sua fundação, dando-lhe como base segura aquela mesma pedra, que Cristo

escolheu para edificar a sua igreja. Por isso dizia: «Queremos estar com Pedro, porque com ele está a igreja, com ele está Deus e sem ele não está Deus. Por isso eu quis romanizar a Obra».

Esse genio castelhano de fidelidade à igreja de Cristo e essa fortaleza petrina de Roma Eterna desafiaram os poderes das trevas, que se manifestaram mas não puderam prevalecer contra o «Opus Dei», que se expandiu, com as bençaos da Igreja pelo mundo inteiro e conseguiu, hoje, em Roma, esplendido triunfo, com a elevação à honra dos altares do Beato Josemaría Escrivá de Balaguer.

Sua obra já florescente na Cidade Eterna, entra no Concílio Vaticano 11 com seu Secretário-Geral, Pe. Alvaro del Portillo, que trabalha como presidente da «Comissão antepreparatória sobre os leigos», e finalmente como Secretário na «Comissão sobre a disciplina do clero e do povo cristão», à qual também, como membro, tive a alegria de lhe fazer companhia.

Ao boníssimo Papa João XXIII, promotor do Concilio, sucede Paulo VI, «a primeira mão amiga» que se estendeu ao Fundador, á sua chegada a Roma, e de quem este ouvira a primeira palavra de carinho para com a sua Obra.

Seria longo enumerar as vicissitudes por que passou a Obra, durante e após o Concílio, mas o certo é que teve sempre o carinho dos Papas e, mesmo hospitalizado, após o grave atentado na Praça de São Pedro, João Paulo 11 se interessava pela causa da Obra e de seu Fundador.

Resta-nos agradecer a Deus, e precisamente é o que estamos realizando com esta Santa Missa de ação de graças,' esta Obra que nasceu e cresceu sob o manto da Virgem Imaculada, tanto do Pilar como de Guadalupe, de Fátima e de Aparecida, e suplicar seu Beato Fundador para que a proteja, defenda e difunda sempre mais, para a maior glória de Deus.

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